O dia em que Nunavut ficou às escuras
Imagine um lugar no extremo norte, habitado por pessoas engenhosas que nutrem um profundo apreço pela sua terra magnífica. A população está distribuída por 25 comunidades remotas, muitas das quais acessíveis apenas por avião ou barco. O Governo de Nunavut tem uma presença significativa nestas comunidades e, caso ocorra uma falha nos seus sistemas, diversos serviços — incluindo tribunais, hospitais e apoios a estudantes — ficam comprometidos.
Nunavut é o maior e mais setentrional território do Canadá que abrange grande parte do Ártico canadiano, com ilhas que se estendem até ao Círculo Polar Ártico. O território é composto maioritariamente por tundra, salpicada com milhares de lagos e rios, montanhas cobertas de neve e planícies com permafrost logo abaixo da superfície. Durante os meses frios, a Aurora Boreal ilumina o céu noturno com cores néon em movimento. Segundo a lenda Inuit, estas luzes representam os espíritos dos que partiram, a brincar nos céus.
Com mais de 30 mil pessoas indígenas a viver em pequenas povoações costeiras, Nunavut significa “A Nossa Terra” em Inuktut, a língua dos Inuit. Muitas deslocam-se de mota de neve no auge do inverno, enfrentando ventos glaciais para caçar, montar armadilhas ou pescar. Apesar do clima implacável, a população de Nunavut é resiliente e engenhosa.
Em novembro de 2019, durante o inverno ártico, um ataque de ransomware atingiu a infraestrutura do Governo de Nunavut, interrompendo tudo, desde telefones a servidores. Os serviços públicos foram afetados nas 25 comunidades, cortando o acesso a necessidades essenciais. O governo teve então de decidir se deveria reconstruir a rede antiga ou avançar com um novo sistema.
Assistimos a um apagão total em toda a nossa infraestrutura. Ficámos em choque.
A equipa que oxalá nunca tenha de conhecer.
Como todos os dispositivos teriam de ser reconstruídos, o processo poderia demorar até um ano. Era necessário ter em conta o clima rigoroso. A maioria dos técnicos teria de ser transportada por via aérea. Restava menos de um mês para recuperar — um prazo praticamente impossível — se o objetivo fosse manter os serviços a funcionar perfeitamente.
A equipa de TI do Governo de Nunavut respondeu com rapidez e uma estratégia bem coordenada. Recorreu à equipa de Resposta a Incidentes da Microsoft, uma unidade de elite que se autodenomina “a equipa que oxalá nunca tenha de conhecer”, devido à gravidade das situações em que atua. Em conjunto, implementaram um conjunto de soluções de segurança atualizadas e reconstruíram a infraestrutura do território de Nunavut.
“Foi necessário seguir um processo de recuperação detalhado, ao mesmo tempo que se asseguravam os serviços de TI que suportam escolas, cuidados de saúde, processamento salarial e o funcionamento do sistema judicial”, explica Martin.
As limitações de um sistema de segurança fragmentado, com ferramentas isoladas, tornaram a tarefa mais exigente. No entanto, a equipa da Microsoft ajudou a estabelecer uma abordagem de segurança moderna, camada a camada. Uma nova imagem do Windows foi instalada em mais de 5 mil dispositivos, acelerando um processo que, de outro modo, levaria meses.
“Nenhuma das ferramentas anteriores oferecia uma visão completa do nosso ambiente”, afirma Nathaniel Alexander, Gestor de Operações de Rede do Governo de Nunavut. “Sem uma solução centralizada de monitorização capaz de integrar todos os dados dispersos, era necessário mais tempo e esforço para compreender o panorama das ameaças.”
A Microsoft instalou soluções como o Microsoft Sentinel e o Microsoft Defender como parte da reconstrução de um sistema de segurança mais robusto para Nunavut. Com recurso a inteligência artificial, estas ferramentas detetam e neutralizam ameaças complexas — sinais que seriam difíceis de identificar por pessoas. Com esta proteção, a equipa de Nunavut pode concentrar-se no que é mais importante para o governo e para a população.
“A Resposta a Incidentes da Microsoft apoiou as ações que já tinham sido iniciadas e ajudou a acelerar o caminho a seguir”, refere Martin. “Estava previsto um projeto de 12 meses para desativar os antigos servidores Exchange. Esse plano foi encurtado para cinco dias, com a implementação do Microsoft 365 e a integração da maioria das comunidades, todas preparadas para entrar em funcionamento.”
Operacional mais depressa do que o previsto
Nove dias após o ataque, a equipa de Resposta a Incidentes da Microsoft ajudou a reconstruir a infraestrutura crítica do Governo de Nunavut, com a implementação completa do Microsoft 365. Em apenas seis semanas, toda a infraestrutura estava novamente operacional, com as 25 comunidades, 800 servidores e 5500 dispositivos restaurados e ligados.
O sistema funciona agora com um conjunto de soluções de segurança da Microsoft interoperáveis, reforçadas por um ecossistema de segurança altamente coordenado. Vários dados de telemetria, transmitidos em larga escala a partir de aplicações, são rapidamente integrados para análise com o Azure Data Explorer. O Azure Logic Apps — uma plataforma de integração como serviço (iPaaS) — permite à equipa de TI de Nunavut automatizar fluxos de trabalho críticos com ligações seguras a aplicações na cloud e locais. O Microsoft Purview Information Protection é aplicado em camadas para classificar e proteger documentos, através da atribuição de etiquetas ao conteúdo.
O Governo de Nunavut sente-se confiante com a sua nova postura de segurança e orgulha-se do que foi alcançado com o apoio da equipa de Resposta a Incidentes da Microsoft. O programa de recuperação foi também uma oportunidade bem-vinda para implementar melhorias necessárias. A facilidade de utilização das soluções de segurança da Microsoft é uma vantagem muito valorizada pela equipa de TI de Nunavut.
“As nossas equipas de redes e sistemas estão totalmente empenhadas na transformação,” afirma Martin. “Com as novas ferramentas de segurança da Microsoft, temos uma visibilidade completa e os dados de que precisamos para tomar as melhores decisões no momento certo. Tem sido uma mudança transformadora.”
Arte pública em Iqaluit, a capital de Nunavut. (Fotografia cedida pelo Governo de Nunavut)
Uma língua para as gerações futuras
O Inuktitut, falado por 70% da população de Nunavut, é o principal dialeto da língua Inuktut. O Inuinnaqtun, outro dialeto, está na lista de línguas em perigo da UNESCO, com menos de 600 falantes em Nunavut. O Governo de Nunavut colaborou com a Microsoft para preservar a língua Inuktut, lançando estes dialetos com o apoio da inteligência artificial da Microsoft. O feedback tem sido entusiástico e positivo, uma vez que os membros da comunidade estão a aprender e a utilizar os dialetos Inuktut no dia a dia. Com o Microsoft Translator, a comunicação com prestadores de cuidados de saúde à distância tornou-se mais fácil e eficaz, as gerações mais novas conseguem ligar-se melhor aos mais velhos, e os utilizadores do Microsoft Office podem enviar e traduzir emails na língua da sua escolha.
Em conjunto, a Microsoft e o Governo de Nunavut estão a transformar os serviços através da tecnologia. O Microsoft Teams foi implementado junto de mais de 5200 colaboradores e profissionais de apoio, permitindo uma ligação virtual em todo o vasto território. A formação de competências e o acesso a serviços essenciais tornaram-se muito mais rápidos, poupando tempo e custos de deslocação. O Windows 365 ajuda a gerir e disponibilizar a especialização necessária para melhorar a qualidade de vida das comunidades locais. A administração pública, a infraestrutura e a cibersegurança são agora geridas de forma mais integrada com o Windows, criando um ambiente mais seguro.
A Microsoft continua a apoiar o Governo de Nunavut na disponibilização de programas e serviços mais acessíveis através da tecnologia, criando oportunidades educativas e económicas valiosas e duradouras para comunidades remotas.