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Os ritmos da floresta tropical

Atendendo ao chamado da Amazônia pela conservação através da bioacústica
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Inspirados na dramática sinfonia da Amazônia, usamos o Microsoft Designer para criar imagens que refletem sua vibrante beleza natural.

Os batimentos cardíacos do nosso planeta

No coração da América do Sul está a Floresta Amazônica, um componente crucial do equilíbrio ecológico da Terra. Abrangendo nove países e cobrindo mais de 5,5 milhões de quilômetros quadrados, a Amazônia não é apenas uma maravilha geográfica: é um indicador crucial da saúde do planeta.

Imagine uma vasta tela verde pulsando com vida, em que cada folha e riacho desempenha seu papel em uma sinfonia climática global. Aqui, a Amazônia não é apenas uma floresta tropical; é um personagem dinâmico na história da nossa Terra. Suas densas selvas e rios extensos são linhas de vida que tecem a narrativa do nosso planeta, influenciando padrões climáticos e ecossistemas em todos os continentes.

Esta vasta floresta tropical, que abriga cerca de 10% das espécies conhecidas do mundo, é um testemunho da delicada interação da vida. Desde a furtiva onça-pintada até a ararinha-azul, cada espécie desempenha um papel significativo na manutenção do equilíbrio ecológico. A saúde dessas espécies reflete a saúde mais ampla do nosso planeta, ilustrando a complexa conexão entre os ecossistemas locais e o bem-estar ambiental global.

Mas a Amazônia está em uma encruzilhada crítica, sombreada por desafios significativos. Dados recentes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostram uma queda no desmatamento, com o desmatamento na Amazônia brasileira diminuindo 66% em agosto de 2023 em comparação com o mesmo mês do ano anterior. Apesar dessa queda recente, a Amazônia brasileira perdeu quase 20% de sua abrangência florestal desde o início de 1970. Os cientistas alertam que o desmatamento contínuo, junto da degradação florestal e das mudanças climáticas, pode transformar grandes áreas de floresta tropical em um ecossistema mais seco e semelhante à savana, afetando severamente o armazenamento de carbono, a biodiversidade, os padrões de chuva e as comunidades locais. Mongabay. (2023, September). Deforestation in the Amazon rainforest continues to plunge. Retirado de: https://news.mongabay.com/2023/09/deforestation-in-the-amazon-rainforest-continues-to-plunge/. Sua preservação significa mais do que salvar uma floresta tropical: trata-se de assegurar o futuro do nosso meio ambiente mundial.

A arte da bioacústica consiste em transformar os sons da natureza em evidências científicas.
Juan Lavista Ferres
Vice-Presidente, Cientista-Chefe de Dados, AI For Good Lab da Microsoft

A bioacústica e a arte de ouvir a sinfonia da natureza

Nas profundezas da Amazônia, microfones (às vezes tão pequenos quanto uma ervilha ou um botão), capturam chiados, rosnados e o farfalhar das folhas, revelando narrativas anteriormente ocultas da vida selvagem. Bem-vindo à bioacústica, um campo científico que une biologia e acústica. Ele envolve a análise e a interpretação dos sons produzidos e afetados pelos organismos vivos, transformando efetivamente a sinfonia da floresta em um conjunto de dados rico em insights ecológicos.

Os microfones, com sua mínima invasividade, são transformadores na bioacústica. Sua capacidade de observar silenciosamente a natureza sem perturbação captura sua essência de uma maneira que a presença humana ativa não consegue. Eficientes e econômicos, esses dispositivos permitem um monitoramento extenso e discreto em todas as vastas extensões da floresta tropical. Rahul Dodhia, Diretor Adjunto do AI For Good Lab da Microsoft, destaca sua proficiência em capturar “as nuances sutis da natureza”, ressaltando a vantagem desse método de observação passiva.

Esses microfones sempre escutam, proporcionando vigilância contínua que não atrapalha o comportamento animal, ao contrário da observação humana direta, que pode ser intrusiva. Sua natureza passiva garante que mesmo animais escondidos ou camuflados se destaquem, pois seus sons revelam presença. Esse aspecto da bioacústica aumenta a precisão dos dados e permite que os pesquisadores se concentrem na análise e em outras tarefas cruciais à medida que os microfones e a IA executam o trabalho de campo. Ao serem ouvintes passivos, os dispositivos bioacústicos estão redefinindo o monitoramento da vida selvagem, garantindo que nenhum sussurro da floresta tropical passe despercebido.

A bioacústica serve como porta de entrada para um universo não visto. Desde o sussurro delicado dos insetos até os gritos vibrantes do bugio, cada som é uma peça de um quebra-cabeças na narrativa ecológica. Ouvindo além da simples captura de sons, esse campo se concentra em entender o concerto da vida: como os animais se comunicam, interagem e vivem em seu habitat natural.

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Correspondência sonora para identificação de espécies

Um esforço conjunto entre o AI for Good e o Azure Cognitive Services forneceu aos pesquisadores as ferramentas adequadas para identificar chamadas específicas de animais em meio à rica diversidade de sons da Amazônia, um passo crucial para monitorar a biodiversidade e desvendar as interações ecológicas.

Além de mapear a paisagem acústica, a bioacústica é fundamental para identificar bioindicadores – espécies que sinalizam a saúde de um ecossistema. Andres Celis, pesquisador da Microsoft em Inteligência Artificial, esclarece sua importância: “Espécies-chave identificadas por meio da bioacústica revelam a saúde de uma floresta. Sua presença ou ausência indica a condição do ecossistema, se é abundante ou se está em perigo.” Os bioindicadores são vitais para detectar mudanças ambientais, medir a saúde do habitat e orientar os esforços de conservação. Eles identificam áreas que precisam de intervenção e acompanham o sucesso de projetos de restauração, desempenhando um papel crucial na manutenção do equilíbrio ecológico da Amazônia.

Ao empregar essas técnicas avançadas, a bioacústica faz mais do que desvendar as histórias ocultas dentro da Amazônia: estabelece as bases para estratégias de conservação inovadoras. Aos olhos dessa lente científica, preservar um dos ecossistemas mais diversos e vibrantes da Terra torna-se uma história de descoberta, esperança e inovação.

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O papel pioneiro da IA na redefinição da conservação

À medida que a IA inaugura uma nova era na bioacústica, ela está transformando a conservação e a pesquisa em um processo mais eficiente. A IA é uma assistente vital para os cientistas, filtrando dados para identificar diferentes animais. Essa tecnologia permite que os pesquisadores concentrem-se em análises aprofundadas e em tarefas cruciais de conservação, enquanto a parte rotineira da revisão de dados fica a cargo da IA.

Zhongqi Miao, principal cientista de pesquisa em bioacústica do AI for Good Lab, traz à tona informações sobre esse avanço: “Ao converter sons da natureza em dados mensuráveis, a IA ajuda a monitorar populações de animais selvagens e a rastrear mudanças nos ecossistemas.” Essa abordagem não se trata apenas de tecnologia: é sobre alcançar uma compreensão mais profunda da saúde da vida selvagem, dos padrões migratórios e das complexidades comportamentais.

A IA permitiu acelerar a interpretação de dados, possibilitando uma compreensão em tempo real. 2
Rahul Dodhia
Vice-Diretor, AI for Good Lab da Microsoft

A IA e o som da inovação

O Project Guacamaya está utilizando IA para identificar sons de aves e de outros animais na Amazônia com notável precisão, analisando mais de 100 mil gravações e atingindo mais de 80% de confiabilidade na identificação das espécies. A iniciativa amplia o alcance do monitoramento ecológico, cobrindo vastas áreas da floresta simultaneamente e acelerando de forma significativa a análise dos dados.Tarefas que antes levavam anos de trabalho manual agora podem ser concluídas em poucas horas.

Uma das vantagens mais atraentes da IA nesta área é a sua capacidade de análise de dados em tempo real. À medida que a IA processa instantaneamente a infinidade de sons da Amazônia, ela capacita pesquisadores e conservacionistas a responder imediatamente às mudanças ambientais, oferecendo um sinal de esperança para enfrentar as mudanças ecológicas antes que elas se tornem irreversíveis.

Mas o papel da IA no monitoramento da vida selvagem vai além do processamento de dados, estendendo-se à gravação e análises contínuas dos sons nos habitats naturais. Funcionando como um maestro habilidoso, a IA interpreta em tempo real as camadas de sons da Amazônia, distinguindo os chamados individuais dos animais em meio à cacofonia da floresta. Seu ouvido apurado reconhece anomalias na sinfonia da floresta tropical, como padrões incomuns nos coros de sapos ou um silêncio atípico em áreas geralmente movimentadas, que podem servir como sinais de possíveis mudanças ecológicas.

IA: uma parceria pelo planeta

O papel da IA na bioacústica representa um avanço significativo, ampliando seu impacto do laboratório para o mundo a fim de ajudar comunidades e ecossistemas. A transição para modelos de IA de código aberto ressalta o espírito colaborativo na conservação, tornando a tecnologia avançada acessível a áreas vitais como a Amazônia. Essa abordagem global, apoiada pela tecnologia da Microsoft, fortalece cientistas e pesquisadores em todo o mundo, unindo-os na missão de proteger nosso patrimônio natural.

Por meio do apoio da Microsoft com modelos de IA adaptáveis e escalonáveis, pesquisadores em países como Equador e Peru estão mais bem preparados para enfrentar os desafios ambientais 1 . Esse esforço colaborativo fortalece a preservação da Amazônia, alinhando estratégias de conservação diversas contra as ameaças ao ecossistema.

Na bioacústica, a IA é mais do que uma ferramenta técnica: permite maior compreensão e ação. Ela transforma dados ecológicos complexos em insights que ressoam com o público, promovendo a conscientização e o apoio à conservação da Amazônia. Essa tecnologia não processa apenas dados, mas integra as pessoas aos esforços de conservação, destacando o papel crucial da Amazônia em nosso meio ambiente mundial.

IA em harmonia com os ecos da Amazônia

No futuro, a Floresta Amazônica se tornará palco para um diálogo inovador entre pesquisadores e IA. Imagine um mundo onde a interação com um modelo de IA desbloqueia insights instantâneos sobre o complexo coral da floresta tropical. Um pesquisador pode perguntar sobre um chamado específico de pássaro e, como mágica, receber informações detalhadas sobre sua espécie, comportamentos e o que isso significa a nível ecológico. Isso não é ficção científica: trata-se de uma visão em desenvolvimento pela equipe do AI for Good, evidenciando os grandes avanços na pesquisa em bioacústica.

O papel da IA generativa e dos modelos avançados de linguagem nessa narrativa é transformador. Eles estão prontos para revolucionar nossa compreensão sobre as paisagens sonoras naturais, oferecendo novas maneiras de interpretar e interagir com a linguagem da floresta.

Ciência cidadã

A narrativa da bioacústica se estende à ciência cidadã, na qual a tecnologia une a vida cotidiana e a gestão ambiental. Com smartphones e IA, como o programa AI for Earth da Microsoft, com iniciativas como o Wild Me, indivíduos em todo o mundo podem contribuir para o monitoramento ecológico. Atos simples, como gravar um canto de um pássaro durante uma caminhada, alimentam um vasto banco de dados que os cientistas usam para pesquisa. Esse esforço voltado para os cidadãos, reforçado pela tecnologia da Microsoft, apoia o rastreamento de padrões de vida selvagem e a detecção de mudanças ambientais, fazendo com que cada pessoa tenha um papel crucial na conservação global.

Pensando no futuro, a sinergia entre a IA e o nosso mundo natural não é apenas inspiradora, mas um passo crítico em direção a um futuro sustentável. Essa história, em que a tecnologia caminha junto à natureza, reforça que toda ação conta na missão de proteger e entender a Terra. Cada voz faz parte de uma melodia maior, desde o menor inseto da Amazônia até uma comunidade global de cientistas cidadãos.

Nos ritmos da floresta tropical, surge uma melodia em comum que nos convida a ouvir, aprender e agir. Isso é mais do que conservação: é uma jornada coletiva para preservar o extraordinário planeta que chamamos de lar, no qual a tecnologia e a natureza se entrelaçam.

Referências

  1. Microsoft News. (n.d.). AI may hold a key to the preservation of the Amazon rainforest. Retirado de https://news.microsoft.com/source/latam/features/ai/amazon-ai-rainforest-deforestation/?lang=en
  2. Dodhia, R. (2024). AI for Good: Pursuit of Scientific Knowledge. In AI for Social Good: Using Artificial Intelligence to Save the World (1st ed., p. 121). Wiley

Os sons de animais usados no player interativo deste artigo foram licenciados de fontes de terceiros e usados apenas para fins de demonstração. Os arquivos de áudio se destinam a replicar e ilustrar a captura de áudio da pesquisa bioacústica.

Two men sitting at a table in an office setting, engaged in discussion. One man gestures with his hand while the other listens attentively. A laptop displaying a chart is open on the table.

Encontrando respostas sobre a preservação da floresta tropical

Trevor e Juan Lavista Ferres, Vice-Presidente Corporativo, Cientista-Chefe de Dados e Diretor do AI for Good Lab da Microsoft, discutem como a IA está ajudando especialistas a identificar os sons da floresta tropical e a compreender melhor as mudanças em nosso ecossistema. O Project Guacamaya utiliza IA para analisar mais de 100.000 frequências na Amazônia, com o objetivo de identificar espécies e monitorar a ecologia. A preservação da Floresta Amazônica é fundamental para proteger o meio ambiente mundial.